Summer School "Arrábida Arqueológica" 2014

Já se pode inscrever e consultar todas as informações sobre o Summer School "Arrábida Arqueológica" deste ano. Participe e terá certamente uma oportunidade de adicionar ao seu Verão uma experiência distinta.
http://museu-maeds.org/chibanes2014/

ENCONTRAM-SE ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O SUMMER SCHOOL "ARRÁBIDA ARQUEOLÓGICA" 2014

















A 3ª edição do Curso de Verão “Arrábida Arqueológica” terá a estrutura organizativa e a duração das edições anteriores. Contará com uma componente teórica, e outra prática realizada no Castro pré e proto-histórico de Chibanes (Palmela). Será dedicada ao processo de neolitização no Ocidente Ibérico.

- Constituirá uma oportunidade de actualização de conhecimentos e participação nos debates para alunos do ensino superior de arqueologia, história e/ou antropologia, para profissionais destas áreas e ainda para público interessado em problemática tão crucial para o entendimento do Presente. Os professores do curso são arqueólogos de renome que desenvolvem projectos de investigação em Neolítico (ver programa das conferências).

Poderá ainda:
- Desenvolver trabalho de campo em uma das jazidas arqueológicas mais emblemáticas da Arrábida: Chibanes. Aí foi possível distinguir três grandes fases de ocupação, todas elas fortificadas. A fase mais antiga é datada do III milénio BC e abrange o Calcolítico e o Bronze Antigo. Segue-se, após longo período de abandono (cerca de 1700 anos), ocupação da II Idade do Ferro, datável dos séculos IV/III e primeira metade do século II a.C. Por fim, o local foi ocupado no período Romano Republicano, na fase da conquista romana (último quartel do séc. II a.C. e 1ª metade do séc. I a.C.).
- Visitar alguns dos sítios arqueológicos da região como os hipogeus pré-históricos da Quinta do Anjo, o estabelecimento romano do Creiro, estação arqueológica de Tróia.
- Experienciar uma das regiões mais bonitas de Portugal, com duas reservas naturais: o parque natural da Arrábida e a reserva do estuário do Sado.
- Conviver com colegas de outras universidades portuguesas e estrangeiras. Partilhar informação com profissionais dos domínios em que está interessado.

Participar no Summer School “Arrábida Arqueológica” será certamente uma oportunidade de adicionar ao seu Verão uma experiência distinta.

Organização: MAEDS-Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal/Assembleia Distrital de Setúbal.
Coordenação: Joaquina Soares.
Colaboração: Câmaras Municipais de Palmela e Setúbal, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Universidade Aberta, Universidade de Valladolid.


PROGRAMA

Período: 8-11 de Julho/2014
Tema: O processo de neolitização no Ocidente Ibérico

Arqueologia de campo
Curso
08-11/07/14
8,30H – 13,30H: Escavação arqueológica no Castro de Chibanes (facultativo)

Conferências
08/07/14
15.30H – Introdução ao tema. Modelos teóricos e confrontação empírica. Apresentação de novo projecto a iniciar em 2015.
Por Joaquina Soares (Directora do MAEDS e investigadora da UNIARQ-UL).
16.30H – Pausa para café.
16.45H – “ A precoce neolitização da Costa Sudoeste”.
Por Carlos Tavares da Silva (Director do CEA do MAEDS e investigador da UNIARQ-UL).
18.00H – Encerramento.

09/07/14
15.30H – “Revisitar o Neolítico antigo da Estremadura”.
Por João Luís Cardoso (Prof. catedrático da Universidade Aberta).
16.30H – Pausa para café.
16.45H – “A neolitização do vale do Tejo: para além de Muge, o Sorraia”.
Por Victor S. Gonçalves (Prof. catedrático da Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras e Director da UNIARQ-UL) e Ana C. Sousa (Profª da Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras e investigadora da UNIARQ-UL).
18.00H – Encerramento.

10/07/14
15.30H – “Aspectos da neolitização no Alentejo Interior”.
Por Mariana Diniz (Profª da Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras e investigadora da UNIARQ-UL).
16.30H – Pausa para café.
16.45H – “O sítio do Prazo no contexto da Neolitização no Norte de Portugal”.
Por Sérgio E. M. Rodrigues (Prof. da Universidade do Porto-Faculdade de Letras e investigador da CEAACP).
18.00H – Encerramento.

11/07/14
15.30 H – “El neolítico y la Neolitización de las tierras del Interior Peninsular”
Por M. Rojo Guerra (Prof. da Universidade de Valladolid).

17.30 H – Encerramento.





JUNTE-SE A NÓS NAS COMEMORAÇÕES DO DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS



18 Maio
Dia Internacional dos Museus
Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal

Em destaque:
Visita ao Património Azulejar de Setúbal (10h30 e 15h30)
Atelier de Azulejaria-  Para crianças e jovens e adultos também
Venha pintar o seu azulejo e descobrir o universo da azulejaria.


Percurso das visitas
As visitas ao exterior irão realizar-se ao longo da Avenida Luisa Todi, num passeio descontraído dirigido para a apreensão da particular atmosfera e luminosidade desse espaço, e em especial para a observação de alguns aspectos do património azulejar:
1)       Fachadas revestidas a azulejos de padrão dos finais do séc. XIX/inícios do séc. XX;
2)       Painéis azulejares figurativos do Mercado do Livramento, datados de 1929 e 1930, da autoria de  Pedro Pinto, em azul e branco, na tradição da distante azulejaria do séc. XVIII. Apresentam cenas do quotidiano dos setubalenses como por exemplo a faina da pesca, a exploração do sal e ainda trabalhos de lavoura. Os silhares de azulejos da autoria de Rosa Rodrigues e datados de 1944 completam a visão sobre a Setúbal da primeira metade do século XX, com imagens da cidade, do campo e do rio emolduradas por frisos de laranjas de Setúbal.
3)       No antigo Largo da Ribeira Velha, haverá tempo para observar os azulejos de fachada de meados do séc. XIX, com a presença de simbologias maçónicas, da autoria do conhecido “Ferreira das Tabuletas”, de seu nome Luís Ferreira.




Enquadramento da visita: breve introdução à história do azulejo
A origem da palavra azulejo tem sido controversa. À semelhança do objecto que designa, o termo azulejo tem origem árabe, derivando de vocábulos como al zulaycha e zuléija que tanto significam “pequena pedra lisa e polida” como “ladrilho”.
O azulejo destinado ao revestimento e decoração da arquitectura consiste genericamente numa
uma placa de barro cozido, de espessura variável, decorada e vitrificada em uma das faces.
A divulgação do azulejo na Península Ibérica, mais precisamente no Levante Espanhol e Andaluzia, surge no séc. XIV, devido à actividade dos artífices mouros que produziam grandes placas de barro cobertas de vidrado colorido monocromático que, uma vez cozidas, cortavam em tecelos geométricos de diversas formas que eram depois recombinados em belos desenhos decorativos, produzindo mosaicos polícromos sobretudo de formas geométricas. Este processo de fabrico, que originou os revestimentos cerâmicos “alicatados” (utilização de um alicate para o corte), era no entanto muito dispendioso.
Na Andaluzia (Málaga e Sevilha) o artesanato dos oleiros mudéjares viria a produzir os azulejos de "corda seca" e de "aresta", que ficaram conhecidos por hispano-árabes e tiveram em Portugal muitos apreciadores, responsáveis pela sua importação em apreciável quantidade para a decoração de obras palacianas e religiosas. As técnicas de corda seca e de aresta garantiam a separação das cores através de barreiras físicas inscritas em negativo ou positivo no azulejo. A temática decorativa é de carácter geométrico.
A partir de meados do séc. XVI, divulga-se o azulejo de superfície lisa, onde a utilização do esmalte estanífero branco impede a mistura dos pigmentos, tornando possível a pintura directa sobre o vidrado (técnica da majólica). Esta inovação tecnológica contribui decisivamente para a renovação do panorama artístico do azulejo peninsular e associa-se a uma estética renascentista com a sua gramática decorativa figurativista e mitológica.
Em Portugal, como em nenhum outro país, o azulejo acabaria por assumir posição de destaque no universo artístico nacional, devido à escala monumental da sua aplicação e do volume da produção atingidas a partir do séc. XVII. No século XVII, coexistem diferentes produções azulejares como os enxaquetados, ainda na tradição estética mudéjar, os tapetes de padrão e as cenas figurativas.
A partir do último quartel do século XVII, o gosto pela porcelana chinesa azul e branca que rapidamente conquistou os países do Norte da Europa e se estendeu mais tarde aos países do Sul reflectiu-se também na azulejaria. A policromia dos azulejos do pleno século XVII foi sendo substituída pelo monocromatismo (azul sobre o branco).
Na primeira metade do séc. XVIII, o azulejo atinge em Portugal o seu maior esplendor. Após o terramoto de 1755, o revestimento azulejar espalha-se pelo país, e muito especialmente por Lisboa. No final do séc. XVIII, a moda impôs os modelos neoclássicos e o azulejo adapta-se facilmente a estas exigências estéticas.
                            A guerra imposta pela política napoleónica e as lutas que se seguiram, com as consequente perturbações económico-sociais, provocaram o declínio da produção do azulejo. Só na segunda metade do século XIX, com a industrialização e por influência dos emigrantes brasileiros (o azulejo levado pela corte portuguesa para o Brasil havia conquistado o exterior dos edifícios, revestindo integralmente as suas fachadas, face às boas qualidades reflectoras de luz e calor), retomam-se as velhas oficinas, agora modernizadas e de fabrico semi-industrial.
Nos inícios do século XX, o azulejo foi influenciado pelo movimento Arte Nova, surgindo em numerosos frontões e faixas decorativas de elementos florais e vegetalistas, os quais evoluíram para volumes e linhas mais geometrizadas por influência do estilo Arte Deco. A par destas produções azulejares em sintonia com os movimentos artísticos europeus, uma corrente tradicional, enraizada na tradição setecentista, de composições figurativas a azul e branco, irá manter-se e será especialmente valorizada no conceito de “Casa portuguesa”de Raul Lino.
O azulejo como suporte ao serviço da produção artística tem em Portugal larga aceitação. Entre outras obras pcultura﷽﷽﷽ra e luminosidade dessu dade deste espaço, e em especial para a observaçúblicas, o Metropolitano de Lisboa celebra justamente esse cunho artístico do azulejo português contemporâneo.
Através de produções de características mais eruditas ou populares, a arte azulejar continua a revelar a sua vitalidade e a reafirmar-se como uma das manifestações mais originais da cultura portuguesa.